ANJO RECAÍDO

O ardor no peito do santo de barro, pela possibilidade da queda de seu alto andor, traduz a essência do anjo caído que se regenera. Esfacelamento que leva à catação de cacos, moldagens novas através de um apalpar sui generis, bem traduzido no filme Ghost – do outro lado da vida. A exemplo, Lúcifer nunca foi tão ferino assim, tudo é farol ou farsa canalizada por dogmatismos. Tudo questão de ponto (luminoso ou trevoso) de vista, a depender dos mantenedores de sua própria ancoragem. Daí, veio a substância que passou a lumiescer na bunda de singelos vaga-lumes: luciferina (do latim lucifer, “que ilumina”), uma pigmentação emissora de luz natural. Pisca-piscas verdejantes.

Só com desilusão parece mais capaz de se aproximar da visão de um quarto olho. Se houver, cabe na passagem de um inferno labiríntico em que me procuro com mais força e razão que antes, tudo pela certeza do paraíso à espreita. Oportunidade de focar e transcender no luto que se cumpre, comprimindo a verdade em porta estreita, entre arriscar e riscar um novo nome de dentro do peito. Em pulsação, ao leito, recebo o resultado desse eletrocardiograma da sorte: traço uma lista das expectativas paralisantes, cheia de altos e baixos. Montanha russansara. Ou fica ou se esvai. De tanto cair-se, levanta. Tontamente, apruma, arruma-se e sai.

PAOLA

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