MARULHO DE PEDRA

Petrifico-me ao musgo, sugo o sumo de um lago, largo o medo dentro do rio, sorrio ao vento tal afago. À salvo no verde, a única parede que herdo é constituída por águas límpidas. Atravesso era sem espera de erva daninha. Sou Hera sozinha, amiga do Amor, amante do acaso que dizem que não é. Eu vi um peixe a passeio no raso, em asseio de algas tal vaso de plantas, vedantas, aquário. Redoma de vidro inquebrantável, porque livre. Sem estilhaços de corte, nem cortesia em espalhafatos. Argila molda cada passo no instante do piso. Fundo de lama está para lótus, assim como a sola palmilha o desenho de pés na encruzilhada. Sou estátua tomada em banho áureo, revestida do mármore Carrara, Violeta Parra dos planaltos alienígenas. Quem meu gene regenera? Que raízes meu calcanhar plantou? Ísis de Ícaro, uma mescla de deuses, porque quem me vê não tem nada. Nada no teu mundo e, então, persevera. Cada um põe o Sol à sua maneira. Torra, cega, arde ou cresce. O nascer é quem verdadeiramente me conhece.

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