MUDANÇA

Não, não intento mudar o mundo. O fundo do meu abismo é mais largo. A ele me lanço e, com ele, trago o melhor que posso, do fosso a um rio, poço profundo para mergulhar, nadar e emergir. Ontem, chamaram-me de gorda e pensei sobre a beleza própria das baleias. Sendo assim, prefiro afundar esse barco com remendos, esguichando águas insólitas sobre as lentes de um Sebastião Salgado. Seu olhar frio parece caudaloso, mas constatações sobre qualquer inexatidão não lhe faz mais perfeito que o mar. Tudo parecerá revolto se assim você está. Em que lugar você se respeita na hierarquia? O que sua franquia de tarifas mal-pagas diria se fosse acabar? E se seu mundo de rodas gigantes parasse no giro? Vomite o céu, atire na terra, respire o ar e voe sobre a pipa do ego crasso, tal cego que mal sabe distinguir as cores, as flores para os sem-narinas, tal prego que não sabe sustentar os Cristos a que mesmo se opõe. Muito se sabe sobre uma coisa em que pouco se acredita. Sinto muito sobre a sua inteligência.

PAOLA

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