ANAMNESE

669bb669bc1754dd1a2de1b891959f10Esqueço o que não mais me aquece a alma. Frieza de espírito meu período na Terra condena. Descarto sinapses que não agregam às boas lembranças neurocordiais. A melhor propulsão sanguínea ocorre quando estamos de mãos dadas ou a olhos vistos, cara a cara, palavra a palavra, em leitura labial, no disparo de feromônios à pele que conduz nossa memória olfativa feito desenho animado: uma fumacinha que embrenha-se às narinas e faz levitar o corpo em direção ao amor ou à comida. Raro perfume. Mas arrotaram a rota pelo destino delgado, desviaram o pensamento ao que menos importa. Arrogante fragrância.

Afetivamente, ainda sei de cor aqueles tempos de criança em que a única esperança se detinha na presença desse momento-instante. Chora-se segundos após a topada, ri-se imediatamente depois, com ingênua alegria. Genuína sensação. Gratitude pelo curativo colorido no dedinho ou nos joelhos ralados, que logo descascam e, às vezes, deixam cicatrizes à mostra. O neurônio é gênio quando o perdão vem rápido e sara logo os nossos dilemas adultos. Larápio é o relógio que vê passar tantos filmes sem que se possa voltar atrás do ‘rewind‘ tantos problemas, embora haja sempre começos a serem medidos e remediados sem a urgência frívola dessa ansiedade. Corpo fugaz. Perdemos tudo e, mesmo assim, somos capazes da recordação. Cartas e fotografias. Sorte da gente que insiste em sentir saudades.

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