VAGAR

Vou sair para dormir ao relento, fazer rebento com a rua, interagir com o silêncio equidistante dos automóveis, como se o vácuo fosse imóvel repleto de mobília. Na trilha desse mim-mesmo infinito, dá-me um faniquito escondido dentro das calças. Alcancei o topo da taça de Mercúrio feito cobra de duas cabeças, brindei com vinho, arrebentei o sutiã de tanto naufragar às pedras que me arremessaram aos montes de Vênus em brasa. Vulcânica e vulgar. Meu nariz aquilino fareja a asa menos próxima a embarcar nesse voo dos rasantes, que rasga unha por ciscar montanhas se arreganhando fácil pelo asfalto. Meu salto alto envelheceu de tanto andar, seduziu um condor que conduzia o andor do santo de barro. Derrubou todo o pecado aos pedaços e me pus a requebrar, como as ondas, dançando os quartos, cigana insana à beira-mar. Desdém? Os olhos desse instante usam saia vermelha entre quatro paredes, rodopiam vertigens sem cessar coragem. Aquém, logo se vê aquela chama – bravia do pavio, xamânica – que ninguém mais há de apagar.

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