INTERPLANETÁRIA

Arrumei o rumo, mas esqueci de fazer a mala. Basta-me de bagagens e de recurvar-me ante o peso desse fundo. Anciã de espírito, mulher em Vênus alinhada, meu corpo já contém tantos sais e litros d’água, que acabaria com a fome de quase todo o mundo. Amores que não se contêm e, quando se veem empossados de um que não profundo, mais se alastram pelos veios, doadores universais. Rio em cheia súbita. No estardalhaço entre peixes, transfigurei-me em sereia, mas antes que esta metade-homem me devorasse, fiz da minha cauda, aos rasgos, um vestido transparente. Persigo, agora, minha própria nudez dentro da floresta, recubro meus seios de lama, dando de mamar à mãe terra, que já anda farta de tudo, morta de sede. Leite de rosas. As raízes criadas me dragam até o Japão. Um homem de olhos puxados me puxa pelos cabelos, enquanto Dalila espreita de seu voyeurismo ancestral sem Sansão. Fomos medir forças e no que deu? O Sol em conluio com a Lua gemeu, deixando Saturno enciumado. Divorciado de seus anéis, esperou o próximo retorno à beira da estrada.

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