ESCULHAMBACIONISMO

mozAcumulo adjetivos como quem coleciona patentes. De ofensas a elogios. Meus brios se espremem quando não há identificação com elas, mas as pessoas estão craques nisso. Até os mais omissos me surpreendem com seus certames poéticos, ascéticos, invencíveis. Brincam de psicodrama com os dramas alheios e, por quererem palco ou lona, interpõem-se frente às fraquezas, saem no braço comigo, fiel aos que me leem matizes sem as quererem más. As franquezas minhas são boas atrizes? Então, muito mais me amarás. Se canto uma canção que versa sobre amores, já supõem que faço uma declaração. Se ouço outra sobre dores, já a desclassificam em rumores patéticos e se doem por si. Estou perdendo a noção de mim por dar ouvidos a quem não me sabe a metade, avalie a cara. Viro, mas não para dá-la a bater. Talvez por ter feito o bastante. Morrissey abençoe as almas dos amigos, que vão para o inferno dos bons entendedores. Não vou nem dizer. Para quando a comunicação não vai bem, inventaram as indiretas. Isso lá é coisa de gente direita… Então, saia da reta. Atenção! Retenção do bem ninguém acerta. Se tudo que é meu parece feio, quem desdenha quer apetecer. À falta de conhecimento inteiro, costumo chamar preconceito. Os íntegros estudam antes de saber.

Ironia fina, faro fino, operação pente fino, mas fineza que é bom, agudeza de caráter, cadê? Nunca afirmei ser a melhor no trato humano, por isso pergunto. Cadê? Não está mais aqui quem falou, porque vim para escrever. Despejar a água suja do sabão que não querem lamber. Veja como é bom ser invisível. A beleza vai envelhecer e pode nem dar filhos. Não há trilhos para o que se pode ser, se a vontade de voar vem do espírito. Estou em expansão no mesmo planeta que você. Sinto-me um estrangeiro, uzbesquistão mal quisto falando alemão, por vezes, inimigo. Melhor ter este por perto. O aperto de mão pode ceder. O chão pode se abrir. Só a boca que devo evitar, pois se vem uma mosca e outra a pegar carona no meu dejeto, projeta-se no que nem disparei. Ou seja, o que era projétil, virou míssil, o que era cocô, defequei, dei fé. Pequei, Senhor! Ai de mim se usar o pronome possessivo no “tu”, sendo “seu”. Nunca fui com a cara dos Parnasianos, licença me dei à poemática e mesclei o nó da gramática com coloquialismos. Imagine se suspeitassem que estudei fundamentos linguísticos e que, por isso mesmo, é que acabei com estes preciosismos. Despetalei a última flor do Lácio quando ela já nem de donzela se fazia. Azia me dá a própria língua, às vezes. “In the beginning was the Word, and the word was with God.” (John 1:1) Bla bla bla, bigmouth strikes again and I’ve got no right to take my place with the human race.
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