DESJEJUM

Os pães têm mais miolos que essa gente faminta
De mentir em seco o que se quer em finos grãos
As mãos postas à mesa denunciam alguma fé
Em si, amanheceria com todas as cascas
Refletiria o pretume da alma dentro do café
Pingaria amargo leite nos olhos fixos
Espantaria moscas sem usar as facas

O silêncio das horas parece prolixo
Mergulha seus ares na manteiga
Derrete-se Dali
Salvador de meia tigela
Do que já foi azeite em tela
A pintar o que sorri

Um hálito só pela manhã
De dois monges que se beijam
Falando sem medo sobre sol e romã
Segredos farfalhando à brisa
Doces lábios de amor ensejam
A flor no talo que o calor eterniza

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